Contaminação alimentar e doenças alimentares

Saiba o perigo da contaminação alimentar e conheça as causas das doenças alimentares

As pessoas não fazem ideia do perigo da contaminação alimentar a que se expõem e aos seus entes queridos.

Diariamente, pessoas ficam doentes em consequência de algum alimento ingerido. Essas são as chamadas “doenças alimentares”, causadas por incompatibilidade com alimentos, micróbios e/ou toxinas, ou por repulsa. A maioria dessas doenças pode ser evitada graças ao que se pode denominar “boas práticas de manipulação dos alimentos”.

Essas chamadas doenças alimentares podem ocorrer por causa de quatro fatores:

  1. Doenças nutricionais — são as doenças decorrentes da ingestão inadequada de nutrientes através da alimentação. Falei bastante desse assunto em meu livro Tudo posso, mas nem tudo me convém. Resumindo, não estamos mais comendo comida, e vivemos numa sociedade obesogênica, cheia de contaminantes ambientais; portanto, os poucos nutrientes que conseguimos absorver são utilizados para funções emergenciais e acabamos com carências nutricionais.
  2. Doenças por sensibilidade específica — são doenças devidas a incompatibilidade pessoal com certos alimentos, por causa de sensibilidade, alergia ou má digestão etc.
  3. Doenças emotivo-sensoriais e simbólicas — são doenças que ocorrem por estímulos inadequados ou por repugnância. Aqui entram condições sensoriais dos alimentos em consequência da presença de perigos ou não. Exemplo: Um fio de cabelo em sua comida, ou melhor, em sua boca! Tem coisa mais repugnante? Temos nojo até do nosso, certo? Tem gente que até passa mal nesse tipo de situação.
  4. Doenças transmitidas por alimentos (DTAs) — são doenças devidas à ingestão de perigos biológicos, químicos ou físicos presentes nos alimentos e podem ser subdivididas em:

4.1.      TOXINOSE (produção de toxina no alimento [toxicidade]) — é exatamente o que ocorre no exemplo que dei no artigo acima sobre a ceia de Natal;

4.2.      INFECÇÃO (multiplicação microbiana no intestino [agressividade]) — ocorre quando você come um alimento que contém microrganismos patogênicos (que causam doença) e que vão se multiplicar não mais no alimento e sim no seu corpo, isto é, no trato gastrintestinal, produzindo toxinas que vão agredir seu organismo. Esse tipo de infecção ainda pode ser dividido em dois tipos:

4.2.1.    NÃO INVASIVA/TOXICIDADE — ocorre quando há produção e/ou liberação de toxinas no intestino;

4.2.2.    INVASIVA/AGRESSIVIDADE — ocorre quando há destruição celular, e pode acontecer a penetração do microrganismo e/ou toxina do intestino na corrente sanguínea (já viu o estrago…)

4.3.      INFESTAÇÃO — trata-se das parasitoses não invasivas de interesse médico, as verminoses de um modo geral; e finalmente

4.4.      INTOXICAÇÃO QUÍMICA (ação de substâncias químicas), que pode ser:

4.4.1.    DE ORIGEM — isso quer dizer que já vem com o alimento, é do próprio alimento, como por exemplo em plantas tóxicas, cogumelos que foram escolhidos de forma errada. Ocorre com o consumo de alimentos que naturalmente possuem substâncias tóxicas presentes em sua composição.

4.4.2.    ADICIONADA — quando ingerimos alimentos contaminados por produtos químicos, pesticidas, agrotóxicos, metais pesados, desinfetantes etc.

4.4.3.    PRODUZIDA — os nomes são complicados: aminas biogênicas e micotoxinas. Traduzindo: sabe quando digo para não comer amendoim, pois existe a produção de uma micotoxina chamada aflatoxina, que é cancerígena? Quando certos grãos e sementes são estocados de forma inadequada (por exemplo o amendoim, mas existem outros), é natural existir fungos, mas há um limite! Se esses fungos estiverem com condições adequadas para eles e inadequadas para o alimento haverá produção de toxinas. Outro exemplo é quando os peixes não são conservados com a refrigeração adequada. Eles possuem uma proteína de fácil degradação (que estraga logo), a histidina, que se transforma em histamina. Você come, fica todo vermelho e acha que tem alergia a peixe, quando na verdade foi uma reação a uma intoxicação química produzida por aminas biogênicas. Agora ficou fácil, não é?

Bem, agora que demos um passeio para conhecer as doenças que podem ser provocadas pelos alimentos, veremos como evitá-las no dia a dia em nossas cozinhas, que é onde maiores problemas enfrentamos quando se trata de segurança alimentar. Precisamos trazer a realidade do controle higiênico-sanitário em todos os sentidos para as nossas vidas, fundamentalmente em nossas casas no que se refere aos alimentos.

Continue lendo mais informações sobre segurança alimentar, contaminação alimentar e doenças alimentares no livro que escrevi em parceria com o chef Renato Caleffi, Escolhas e Impactos – Gastronomia Funcional. Além de ficar informado e bem seguro, você terá acesso a várias receitas funcionais.

Este artigo foi escrito por Gisela Savioli

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